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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
30.5.07

The happiness of long sleep

Esta manhã tive uma reunião no Centro, onde não ia desde que sai da redação daquele jornal em que trabalhei em uma vida passada. Depois aproveitei pra ir ao corredor Correios-Casa França-Brasil-CCBB. Durante cinco horas vi umas oito exposições, centenas de obras, videos, cerâmicas de chorar de lindeza, texturas deliciosas e coisas feias e chatas. Como não entendo de artes plásticas, das correntes, das teorias, dos intelectos e conceitos, gosto mesmo daquilo que me gusta. Eu sou aquela que muitas vezes acha que aquele rabisco incrível é zoação com a minha cara...

Mas qdo parei na frente de um tal quadro na exposição de arte contemporânea chinesa, senti aquele rubor, aquela súbita excitação, aquela felicidade inexplicável que só o encantamento com as artes proporciona. Um êxtase não verbalizável, corporal, animal, indizível, profundo. Que não faz sentido, mas dá sentido a tudo. A tela pulsava, se insinuava pra mim e eu sorria de volta, soltava exclamações em voz alta, para a pessoa ao lado, falava sozinha, arrebatada, doidona. Vou até coloca-la aqui, mas, pra mim, não é o que está na tela que importa, é como está. A quantidade inacreditável de tinta que o artista usa, as pinceladas profundas, a maneira como ele usa e domina hiper-generosas camadas de tinta cremosa e brilhante que se acomodam deliciosamente junto, em meio, sobre as outras. As formas fazem um sentido de perto, outro sentido de longe. Senti vontade de meter a mão naquela massa que parece fresca, que parece mole, recém moldada, em movimento, dinâmica, comestível, doce. Fazia tempo que não me apaixonava. Desde o Brad Mehldau.

Aqui não vai dar pra ver o que estou dizendo, só ao vivo. Mas fica o registro e o link pra saber mais sobre o artista Li Songsong. E esse nome? Songsong...


Li Songsong The happiness of long sleep

1:56 AM Comments:

19.5.07

40's

Não esquecer de levar os óculos de leitura para o supermercado para ler as informações nutricionais nos rótulos dos produtos


Eu não nasci de óculos. Eu não era assim, não


1:25 PM Comments:

16.5.07

Flash Back

Acho que o perfume que era moda quando a gente namorou nem existe mais, mas eu senti no vento. Dois homens passaram correndo por mim com aquele cheiro. Depois passou um cara de bicicleta, seu jeito, seu tipo. Não era você! Eu sabia que ia te ver. Cadê?

Fazia 12 anos desde a última vez em que nos encontramos rapidamente, casados com outros, na porta de um bar do Leblon.

Continuei andando, mesmo depois do tempo regulamentar da caminhada. Andando sem pensar. E lá estava você, amarrando o tênis e se alongando no final do Leblon. Vi de longe o jeito do cabelo. Alívio: finalmente encontrei você. A noite precoce às 6 da tarde, brisa fria vindo do mar. Ri. Eu sabia, fui avisada que ia te ver. Contei pra você. Você riu. Conversamos, rimos, nos abraçamos.

Você foi o meu primeiro amor correspondido, meu primeiro homem, meu primeiro sofrimento de amor. Eu tinha 15 anos quando nos conhecemos. Você também. Escrevemos milhares de cartas e bilhetes um pro outro, demos mil presentes, alguns dos quais ainda tenho. Ficamos uns 10 anos nos despedindo, nos intervalos dos namoros e casamentos. Ficamos 12 anos sem nos vermos. Até hoje.

Na hora em que o seu olho bateu no meu olho, eu vi. Verde azeitona, era isso!, rajado de mel. Num flash a memória celular, a memória da pele. Diz que não pensou no que eu pensei, diz...



Jean Claude Götting

2:47 AM Comments:

10.5.07

Chove lá fora

Chove torrencialmente no Rio de Janeiro às quase 4 da manhã. Cheguei do trabalho agora, cansada, um pouquinho antes da chuva cair. Tenho pena da minha faxineira que vai acordar daqui a pouco e vai pegar 3 horas de condução pra vir trabalhar. Tenho vontade de ligar pra ela agora e dizer: volta pra cama, dorme o dia todo, não precisa vir trabalhar. Penso na minha irmã que vai acordar cedão e que vai trabalhar longe de casa e na minha sobrinha que vai pra escola na chuva e depois vai pra capoeirinha, de casaquinho. Vontade de chorar à tôa, de soluçar bem alto, com a cara enfiada no travesseiro.

A chuva sempre foi um problema, um impedimento pra mim, pq meu pai sempre liberava a gente pra não ir à escola e até à faculdade qdo chovia. Até hj qdo está chovendo e ele me liga querendo saber onde estou e eu falo que to saindo pra trabalhar ele fala: Mas com essa chuva, minha filha?

Tenho pena de todas as pessoas que nunca na vida tiveram um pai que acordasse mais cedo em dias de chuva e as levasse de carro pra escola e pra faculdade, pra elas não se molharem, pra elas não pegarem ônibus na chuva, como meu pai fazia com a gente. Por mais absurdo que seja. Por isso queria ligar pra minha faxineira, que não teve esse pai. Mas essa casa tá uma zona, ela só vem uma vez por semana e a vida é assim: tem dias que chove. A anormal sou eu. Emotiva, sinto compaixão universal.

Qdo a gente nunca passou por um problema grave de saúde na família a vida é uma coisa. Depois, vira outra coisa, totalmente diferente. Tá, é feito a chuva, faz parte da vida... E dá a mesma vontade de ficar escondida debaixo das cobertas, vendo um filminho sem pensar em nada, esperando passar. Ah, isso dá...


hoje eu vou fazer uma prece pra deus nosso senhor
pra chuva parar de molhar o meu divino amor

4:14 AM Comments:

4.5.07

Ponto de vista

O sim é um ponto final. Negócio fechado. Sim e pronto.

O não é uma encruzilhada cheia de placas apontando para milhares de possibilidades diferentes de sim.


Ai, Alice, que maravilha!

3:55 AM Comments:

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